REFORMA TRIBUTÁRIA ACENDE ALERTA PARA PRODUTORES RURAIS NO AGRONEGÓCIOS COPERCANA
Reforma tributária acende alerta para produtores rurais no Agronegócios Copercana
Especialista destaca mudanças que entram em vigor a partir de 2027 e reforça a importância do planejamento antecipado no campo
Na manhã desta quarta-feira (24), o 22º Agronegócios Copercana trouxe à pauta um dos temas mais sensíveis para o setor rural: os impactos da reforma tributária. O assunto foi abordado pelo diretor da área tributária da Moore, empresa global de auditoria e consultoria, Victor de Oliveira Araújo, que apresentou aos produtores um panorama das mudanças e os desafios que devem surgir nos próximos anos.
Durante a palestra “Reforma Tributária para o produtor rural”, Araújo destacou que as novas regras também alcançarão o campo, especialmente os produtores com faturamento anual acima de R$ 3,6 milhões. Segundo ele, esse público passará a ser contribuinte da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo que substituirá o PIS e a Cofins. Com isso, será necessário se adequar a uma nova rotina fiscal, que inclui emissão de notas fiscais, controle rigoroso de insumos e organização contábil mais estruturada.
Para os produtores que não atingem esse patamar de faturamento, a reforma também trará mudanças. Eles terão direito a um crédito presumido nas vendas, embora os detalhes desse benefício ainda dependam de regulamentação prevista para outubro. Ainda assim, o especialista alertou que todos precisarão se adaptar, já que o novo modelo exigirá maior formalização das operações.
Outro ponto de atenção é o risco de aumento da carga tributária para quem não se preparar. Araújo explicou que, sem a correta apuração de créditos e organização fiscal, o produtor pode acabar pagando cerca de 4% sobre a comercialização da cana — um impacto significativo e inesperado para muitos. Além disso, as usinas deverão exigir documentação adequada, uma vez que terão direito ao aproveitamento de créditos.
O cenário, segundo ele, é delicado e exige ação imediata. “O produtor precisa entender se será contribuinte, buscar orientação com contadores ou consultorias especializadas e se organizar desde já”, afirmou. A obrigatoriedade de emissão de documentos fiscais, atualmente dispensada em alguns casos, passará a ser regra a partir de janeiro de 2027.
A antecipação do debate durante a feira foi destacada como um diferencial importante. Com as mudanças se aproximando, este é o momento ideal para planejamento, principalmente em relação à compra de insumos, que poderão gerar créditos tributários, como no caso do óleo diesel. O palestrante também mencionou estratégias legais de organização patrimonial para produtores próximos ao limite de faturamento, como divisão de atividades familiares.
A palestra reforçou a necessidade de preparo e informação para que o produtor rural enfrente as transformações sem prejuízos, mantendo a competitividade e a sustentabilidade financeira de suas operações.