FOGO DE TOLO

Por: Fábio de Camargo Soldera – Engenheiro Agrônomo e Especialista Ambiental da Canaoeste
 
Não é preciso ser nenhum expert no assunto para verificar que a incidência de focos de incêndios nos meses de julho, agosto (principalmente) e setembro tendem a aumentar devido às condições climáticas desfavoráveis, tais como: fortes ventos, baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas.
 
Também com uma pesquisa bastante superficial é possível descobrir que a incidência de incêndios durante essa época é muito comum em várias regiões do mundo todo, ou seja, o problema dos incêndios não é somente inerente ao Brasil.
 
Todos os países do globo terrestres localizados entre os trópicos de capricórnio e de câncer, chamadas zonas tropicais – onde a incidência de raios solares é maior – sofrem mais com os incêndios.
 
Considerando essas informações, que são ponto pacífico (assim como a terra é redonda), busquei imagens no sistema de satélite da Canaoeste do mês de agosto de 2019 o qual foi possível observar que países vizinhos do Brasil como: Colômbia, Peru, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina, também sofrem com a incidência de incêndios.
 
Portanto, não se pode admitir que por hospedar a maior Floresta Tropical do mundo o Brasil seja desmoralizado por outros países pela atual situação dos incêndios na Amazônia.
 
Vejo uma histeria desnecessária de outras nações com o Brasil. Países esses que destruíram sua vegetação nativa e na contemporaneidade nos cobram pela preservação da Amazônia (antes de qualquer julgamento quero deixar bem claro que não sou a favor do desmatamento ilegal e meu trabalho consiste inclusive na formação de reservas), concedem entrevistas se dizendo politicamente corretos como o tuíte do presidente da França, Emmanuel Macron: “Nossa casa está pegando fogo” – me pergunto, qual casa?  – Para piorar, ainda mais, referida declaração foi ilustrada com uma foto de 1989, tornando no mínimo duvidosa a fonte de informação que fez do líder de estado tomar atitude tão revoltada.
 
Diversos meios de comunicação também trouxeram o tema para a queda de braço que estão travando com o atual governo federal, fazendo do fato uma verdadeira bomba midiática, como por exemplo ao não abordar os incêndios na Amazônia nos países vizinhos (Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia). Nada se ouviu sobre os mais de 500 hectares destruídos na Bolívia que está avançando para o território brasileiro, por que será? Tais fatos referentes aos incêndios não são novidades, ocorrem há muito anos, porém, tamanha repercussão só está ocorrendo atualmente.
 
Em relação ao agronegócio, de forma alguma os incêndios que estão ocorrendo na região amazônica podem ser associados a nenhuma prática agrícola legalmente realizada no país. Aliás nunca é demais falar que esse é o setor que mais preserva áreas verdes em todo o mundo.
 
Da parte do governo federal, sua culpa foi ter demorado demais para ter tomado uma atitude de combate aos focos, dando motivos para toda a crise (que é mais de informação que ambiental) fosse instaurada. Talvez se tivesse pedido ajuda ao setor sucroenergético, que é especialista em combate a incêndios (tanto real como midiático), a solução poderia ter surgido de modo mais rápido.
 
O caso é que há muita conversa e interesses políticos e econômicos na disputa, e o que falta é uma preocupação real com a floresta e o desenvolvimento, principalmente respeito, com as pessoas que lá residem.
 

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