Cuidados com mudas e viveiros de MPB

A primeira reunião do ano de 2018 do Grupo Fitotécnico de Cana-de-açúcar aconteceu no início do mês de março, no auditório do Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto.

Durante a abertura, o pesquisador Marcos Landell comparou o grupo à Escola de Sagres, que reunia os sábios da época para saber como seria a travessia pelo Oceano Atlântico e chegar ao Oceano Índico. "Recentemente li em uma reportagem que a escola era 'virtual', existia uma reunião para tratar do assunto com informações e geração de conhecimento. Acredito que o Grupo Fitotécnico traz um pouco disso. Muitos temas já foram falados aqui ao longo de quase 26 anos como espaçamento, a doença do amarelinho, a entrada da cigarrinha, as variedades e tantas outras coisas", exemplificou.

Uma das novidades mencionadas por Landell foi o novo site do grupo, que está agora em sua terceira versão, responsiva a tablets, celulares, notebooks e desktops e com link para cadastramento nas reuniões. No mais, o site continua com a mesma estrutura de informação, mostrando a programação que será realizada ao longo do ano e uma biblioteca com as palestras já realizadas.

O encontro teve como tema o plantio de cana-de-açúcar e começou com a apresentação do pesquisador estatístico Rubens Braga Júnior, que expôs um estudo sobre as práticas mais utilizadas no plantio de verão de 2018. A pesquisa, realizada pelo segundo ano, visa ter informações de como está sendo o uso de MPB nesses plantios, mapeando o manejo em meiosi e plantio mecanizado, realizados entre os meses de dezembro de 2017 e março de 2018 (veja mais detalhes sobre a pesquisa no artigo "Pesquisa revela quais são as práticas de plantio que serão mais utilizadas no verão de 2018", também publicado nesta edição).

Em seguida, o produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Jaboticabal, Ismael Perina, compartilhou a sua experiência, acumulada em seis anos, com MPB e meiosi.
De acordo com Perina, em 70% da cana, a origem da muda é semente de paiol. "Não há o mínimo de cuidado com o que será a fonte de renda durante cinco ou sete anos. Não podemos continuar assim. Ou assumimos o papel de técnico ou continuaremos a produzir 70 t/ha. Como produtores e técnicos, temos que fazer a diferença. Está vergonhoso para o Brasil uma produtividade de 70 t/ha. Temos só desculpas de clima e outros fatores, mas e a nossa parte? A nossa missão é mudar esse quadro e estamos com muitas ferramentas na mão", argumentou.

O produtor salientou que a cana passará por algumas mudanças. "Não tem mais que transportar colmo em caminhão. Quem, nos próximos anos, carregar muda de cana em cima de caminhão está fadado a sumir do mapa", sentenciou ao dizer ainda que não sabe se a MPB é o futuro, mas é uma transição importantíssima e todo mundo tem que estar nela.

Perina comentou que no primeiro ano plantou em meiosicom duas linhas, sendo 2:14. Como sobrou muita muda, resolveu fazer uma linha. Nessa mudança de duas para uma linha, conseguiu um aumento de até 15% no número de colmos por hectare. "Isso permitiu um ganho na produção de muda.A área de produção de muda é o nosso ponto chave e é preciso ter qualidade e quantidade", afirma.

A rotação de cultura é apoiada pelo produtor, pois além de produzir alimentos como amendoim, soja e feijão, é rentável financeiramente. "Uma das coisas que a gente aprende e que incrementaa produtividade é a rotação de cultura. Temos que usar", frisa.
Voltando à MPB, os cuidados com a muda devem serrigorosos. Sua origem deve ser de centros de pesquisa, além de serem realizadas análises para verificar a existência de contaminação ou não.

Todo o trabalho, segundo Perina, não é vão, pois entre as vantagens e benefícios do processo estão a uniformidade do canavial sem falha, ganhos de produtividade, simplificação de operações, melhoria de condição de solo com rotação de cultura e ganhos diretos com o resultado da cultura em rotação (boa parte dos custos da cana é absorvido com a roça).

A MPB de qualidade em meiosi pode ajudar a reduzir custos e propiciar um canavial muito mais produtivo. "Tenho aumentado o corte médio, que este ano será de 5.2 e produtividade bem próxima a 100 t/ha.A meiosi é uma boa solução para os problemas de produtividade que temos enfrentado", destacou Perina.

O plantio de meiosi a partir de MPB também foi comentado pelo gerente agrícola da Usina São Martinho, Luis Gustavo Teixeira. "Queremos resultados. Hoje, a meiosi e a MPB são o manejo de maior resultado", enfatizou.

Teixeira conta que a usina trabalha fortemente para reduzir o consumo de muda e que a estrutura de transporte é importante para a meiosi, já que a logística representa 35% do custo de plantio. "Realizamos mudanças de conceito sem abrir mão da qualidade de plantio. É uma realidade no grupo por diversos fatores como economia, qualidade da muda, estrutura reduzida, menor compactação e rápida retomada de plantio e qualidade, o que gera maior efetividade no planejamento agronômico. Estamos aprendendo e para evoluir é preciso associar o baixo consumo de mudas com a otimização", reiterou.

Volume de mudas e plantio mecanizado
O gestor de Planejamento Agrícola da Denusa, Antônio Carlos de Oliveira Júnior, contou sobre a experiência da usina para reduzir o volume de mudas no plantio.
 
Ele explicou que a usina não faz plantio manual desde 2011. "Para o processo de redução no volume de mudas no plantio, o primeiro ponto é a seleção de variedades e algumas delas têm nos ajudado muito como a 3250, 5000, 2042, 5094, CTC 4 e 1099", enumera.
 
A área de multiplicação da usina em 2018 tem 1.505 hectares - um viveiro com variedades promissoras para o próximo ano. O planejamento futuro do plantio é uma das fases adotada pela Denusa para a redução do volume de mudas. Esse planejamento é realizado para quatro anos, já visualizando o que será plantado, quais insumos serão utilizados e o tipo de preparo.
 
Oliveira Júnior conta que todas as áreas da usina são preparadas e que não faz o plantio direto. Ele salienta sobre a avaliação da qualidade na distribuição das gemas. "As avaliações de qualidade são realizadas por equipes de qualidade, treinadas em campo e sala, a fim de identificar gemas danificadas. Também sãorealizadas avaliações de qualidade da muda. Não trabalhamos com meta de qualidade, mas de rendimento", ressaltou.
 
Para que a redução no volume de mudas tenha sucesso é importante uma boa seleção de variedades, conhecer o ambiente de produção, realizar um bom trabalho conservacionista do solo, rotação de cultura e sanidade da muda. "É preciso conhecer a sua muda. A muda é nossa semente e temos como exemplo os sojicultores. Com isso, a nossa expectativa para a safra 21/22 é de 120 t/ha", apontou Oliveira Júnior.
 
Ao abordar a qualidade do plantio mecanizado e aceleração de novas tecnologias varietais com a utilização de MPB, o gerente agrícola da Jalles Machado, Edgar Alves, elencou as estratégias de plantio utilizadas na empresa como automatização de plantadoras e avaliações periódicas em campo para qualidade de plantio. Também são avaliados itens como profundidade de sulcação, paralelismo entre linhas, altura da cobrição, quantidade de gemas e gemas inviáveis.
 
A qualidade do plantio é avaliada com o uso de Vant para a identificação de falhas. "Outro ponto é o manejo varietal e suas características como hábito de crescimento ereto, capacidade de fechamento das entrelinhas e população de colmos, além do potencial ganho com novos materiais promissores e que substituirão algumas variedades", mencionou Alves.

Produtos
Como patrocinadora do Grupo Fitotécnico de Cana-de-Açúcar, a SipcamNichino Brasil apresentou as suas tecnologias para o setor.

Caio Alves, do Departamento de Desenvolvimento de Mercado da empresa, destacou o maturador Sprint WG que atua nas regiões meristemáticas, inibe a divisão celular, interrompe temporariamente o crescimento vegetativo e promove o acúmulo de sacarose.

"O produto é altamente seletivo para a cultura da cana e entre os seus benefícios estão a ampla janela de colheita, classe toxicológica IV (verde), aumento dos teores de Pol % e ATR e época de aplicação flexível, permitindo o melhor gerenciamento da colheita", pontuou Alves que adiantou ainda que a empresa está com dois herbicidas em fase de pré-tratamento: Leale SC e Kicker.

Prêmio Variedades IAC
A primeira reunião do ano foi marcada pela entrega do Prêmio Variedades IAC - avanço em inovação e produtividade na safra 17/18.
 
O prêmio tem como base os dados do censo varietal e as usinas premiadas foram:
 
- Grupo Jalles Machado - intenção de plantio de 45% de variedades IAC;
- Grupo Bunge (Unidades Itapagibe e Frutal) - 44% de variedade IAC, maior área de plantio e cultivo;
- Grupo Colorado - 38% de plantio de variedades IAC realizado na área;
- Grupo Pedra - maior crescimento proporcional (51%) de variedades IAC;
- Grupo Goiasa - 35% de área cultivada com variedades IAC;
- Usina Santa Fé - maior % de variedades IAC na área de plantio (49%),
- Usina Denusa - maior % de variedades IAC na área de cultivo (55%).
 

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