Caravana da Família Nação Agro discute o setor em Ituverava

Por: Marino Guerra


Aconteceu no dia 14 de março, no Sindicato Rural de Ituverava, mais uma edição da Caravana da Família Nação Agro, sequência de eventos promovidos pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) que irá passar por mais de 60 cidades do Estado, sempre com temas ligados à realidade agrícola de cada microrregião.

E o tema para Ituverava não poderia ser outro senão a cana-de-açúcar. A primeira palestra foi realizada pelo pesquisador do IAC, Afonso Peche Filho, que falou sobre o manejo conservacionista de áreas agrícolas, o qual nada mais é que os cuidados do agricultor em relação ao seu ambiente de produção.

O primeiro assunto abordado foi sobre os critérios conservacionistas de ocupação, que contextualizou temas como a forma de uso do solo. O pesquisador fez um forte alerta sobre a compactação: “Solo compactado é solo aidético, não tem cura”.

Outro ponto que ele destacou foi em relação à atividade que será realizada na terra, respeitando a época do ano. Nesse momento, Peche Filho provocou os produtores que estavam na plateia fazendo-os pensarem nas medidas tomadas para mitigar os problemas. O exemplo pedia para cada um recordar a chuva que causou mais prejuízos em sua lavoura e, então, ele questionou: “E se cair uma chuva igual amanhã, seu prejuízo será menor?”.

Ainda relacionado ao tema, o pesquisador citou a movimentação e exposição do solo, recomendando mexê-lo o menos possível e, principalmente, não deixá-lo exposto. Resumindo, na sua visão, o plantio direto em cana-de-açúcar não tem que ser uma opção, mas uma regra.

Levantados os critérios de ocupação, Peche Filho aprofundou o assuntou ao comentar sobre a gestão integrada do ciclo da água, mostrando que é preciso entender onde ela passará nas cinco diferentes áreas da fazenda: proteção, produção, construídas, locomoção e lindeiras (áreas de preservação permanente).

Diante disso, foram apresentadas as atividades relacionadas ao manejo conservacionista separando práticas de como lidar com a água nas estações chuvosas, que são: interceptar, infiltrar, armazenar, conduzir, dissipar e monitorar; e na época seca, cujo objetivo é reter ao máximo a umidade no solo, ação essa que está constituída em treinar, acerar, cobrir, manter, recuperar e monitorar.

Dentre todas essas práticas, focadas na cultura canavieira até mesmo pelas questões climáticas dos últimos anos, Peche Filho focou na questão da seca e tornou a ressaltar a importância em manter a palha para cobrir o solo, evitando a sua degradação.
Sobre o manejo, ele também disse que o agricultor precisa se preocupar com a supressividade, ou seja, degradá-lo ao máximo sem nunca pensar em recompor suas características, algo que aconteceu durante muito tempo quando a prática de plantio de cana sobre cana era bastante usual.
Para combater esse problema, o pesquisador deu exemplos que devem estar na ponta da língua de qualquer agricultor: a realização de rotação de cultura e o uso contínuo da calagem.

A palestra seguinte foi proferida pelo diretor comercial da Usina Alta Mogiana, Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, que comentou sobre a saúde financeira, de uma maneira geral, das empresas do setor. Ele argumentou sobre o fato da safra 18/19 ter sido demasiadamente alcooleira (depressão dos preços do açúcar e competitividade do mercado interno de etanol) e concluiu que, ao terminar esse cenário e somando-o aos últimos dez anos de trevas, “é um milagre termos 70% das usinas brasileiras em uma condição financeira razoável”.

Ao apontar a posição que o setor deve ter perante o mix da safra que se inicia agora, Figueiredo diz enxergar o comportamento dos preços de açúcar muito dependentes do que as usinas decidirem produzir e, visando criar uma pressão, acredita que o comportamento deve ser igual ao da safra passada, ou seja, 60% ou mais da cana-de-açúcar da região Centro-Sul ser destinada para a produção de etanol.

Com foco no comportamento do preço do biocombustível, ele enxerga que, se o preço do petróleo não sofrer nenhuma queda íngreme e repentina, neste ano as usinas estarão mais preparadas para enfrentar a demanda do mercado interno e, com isso, aposta em preços mais pressionados até mesmo antes de se encerrar o período de colheita.
Outro ponto interessante de sua apresentação foi quando mostrou que, no Brasil, 60% das unidades cogeram energia elétrica (vendem para a rede) e que, na Alta Mogiana, isso significa uma média de R$ 50 milhões por ano no faturamento - uma oportunidade perdida pelos 40% que estão fora desse mercado.

Diante desse olhar positivo, o executivo acredita que se as coisas caminharem bem pode haver uma melhora em 10% no preço do ATR, embora seja preciso considerar que qualquer variação mais bruta no câmbio pode causar uma confusão generalizada em toda cadeia produtiva.

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