Para ter raiz profunda é preciso também aprofundar o conhecimento

Por: Marino Guerra


Desde o fim da queima da palha da cana e a mudança para uma nova forma de tocar a cultura, a palavra manejo vem ganhando força. Com o fim do fogo foi necessário desenvolver práticas agrícolas de controle de pragas até então desconhecidas. A entrada das máquinas também permitiu a disseminação de plantas daninhas de complexo controle.

Porém, fazer um bom manejo de pragas, daninhas e doenças não é o suficiente para conseguir atingir a produtividade necessária para o setor chegar a níveis de rentabilidade, incluindo mais ganhos e menos gastos em uma mesma ou até menor área de terra.

Como a cana é uma cultura onde da mesma soqueira se realiza pelo menos quatro ou cinco safras, é sensato proporcionar as melhores condições ao que está abaixo do solo.
Mas em alguns lugares isso não é algo fácil de ser feito, tanto que expressões sobre manejo de soqueira e raiz são vistas com desdém por muitos profissionais da área que enxergam que uma nutrição bem-feita e a aplicação de inseticidas e nematicidas são o suficiente.

Diante disso, o pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), Hélio do Prado, abordou o tema “Ambientes de produção de cana-de-açúcar: base da distinção de manejo”, onde apontou que para ter raízes ricas é preciso considerar quatro elementos do solo: Capacidade de Água Disponível (CAD), textura morfológica, fertilidade e profundidade.

Quando observada a questão da água, ele ressalta que não se pode definir o ambiente com base apenas no que cai em cima da terra (chuva, irrigação ou vinhaça), é preciso entender a sua velocidade em seu perfil.

No caso da formulação de uma calda que será pulverizada, por exemplo, ele recomenda considerar aspectos como a adsorção (retenção) e solubilidade do princípio ativo e relacioná-los com a lixiviação (capacidade do solo de drenar elementos).

Para exemplificar, foi apresentado um estudo que contextualizou diversos tipos de solo conforme a velocidade da água em seu interior. Os mais rápidos foram: Latossolo (por ter a textura argilosa), Neossolo Quartzarênico (de textura arenosa, hostis para a agricultura, mas que se encontra com cana-de-açúcar em algumas regiões do estado de São Paulo), Argissolos (somente aqueles que têm o horizonte A com cerca de 90 cm) e o Espodossolo (100 cm ou mais de profundidade formado por pedra).

Os Nitossolos (por ter a textura muito argilosa) e os Argissolos (com espessura de 50 cm) foram considerados de velocidade moderada. Os de velocidade muito lenta foram o Neossolos Litóficos (que se encontram geralmente em relevos acidentados ou estruturas montanhosas), os Plintossolos Háplicos (não apresentam camada de argila no horizonte A), Pétricos (apresentam uma camada sólida próxima da superfície, sendo aproveitados apenas como pasto) e os Argilúvicos (com uma faixa da argila abaixo do horizonte A superficial).
Diante dessa descrição dá para concluir que alguns tipos de solo, mesmo com bom transporte de água em seu perfil, não têm a mínima capacidade para receber alguma atividade agropecuária por se tratar de estruturas sólidas.

Ao olhar a textura morfológica dos solos, foram citados exemplos práticos, ou seja, quanto mais argiloso o solo, maior será a dose de herbicida, além do fato dele ser mais propício para a reprodução da cigarrinha quando seu CTC (Capacidade de Troca de Cátions) for alto. Isso acontece devido as suas fendilhas (rachaduras), que criam um ambiente protegido para a praga depositar seus ovos.

Prado também mostrou como identificar o tipo de solo a partir de sua morfologia, observando, em primeiro lugar, a sua ordem (latossolo, argissolo, arganossolo, entre outros), seguida pela sua  subordem (vermelho, vermelho/amarelo ou amarelo), grande grupo (eutrófico, mesotrófico, álico, entre outros), subgrupo (típico ou intermediário) e família (textura e horizonte A).

Ao conhecer as duas primeiras características, o produtor conseguirá calcular um índice que mostrará em quantos dias determinada área ficará seca. Como exemplo, foi mencionado o caso da Usina Jalles Machado, localizada em Goianésia-GO. Nele, em um latossolo eutrófico de textura argilosa, as plantas de maior raiz (150 mm de profundidade) não conseguiram encontrar água depois de trinta dias em decorrência de uma evapotranspiração de 5 mm/dia.

Relacionando esse cálculo nas diversas fazendas da unidade foi possível identificar que a cada 100 mm de déficit perde-se uma média próxima de 10 t/ha.

A nutrição é de fundamental importância para o desenvolvimento agrícola, no entanto, um solo rico, sozinho, não vale muito coisa. Para afirmar isso, o pesquisador se baseou no caso da Usina López Mateos, no México, que tem o solo considerado como o mais fértil do mundo e um índice de chuva de 3 mil mm/ano. Entretanto, há um sério problema em sua infiltração de água, tornando-o restritivo para a análise de produtividade.

Ao saber como a água, os defensivos e os insumos se comportam ao chegar no solo, relacionando-os com todas as suas características morfológicas, além de trabalhar a nutrição com foco em sua carência, o produtor realizará um bom manejo na raiz da cana-de-açúcar, que nada mais é do que obter o máximo desenvolvimento (profundidade) possível.

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