Finalmente a produção mundial de açúcar cairá

Por: Marcos Fava Neves

Reflexões dos Fatos e Números do Agro


  • A nova projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) é de 234,12 milhões de toneladas de grãos, um crescimento de 2,8% em volume e 1,3% em produtividade. Já refletem um pouco os problemas climáticos, pois caiu 1,3% em relação à estimativa anterior. O total de área cultivada com grãos é de 62,63 milhões de hectares (1,5% acima da anterior). A soja cai de quase 120 milhões para 115 milhões (3,4%), mas o algodão surpreendeu. A AgRural já estima a safra de soja em apenas 112,5 milhões de toneladas, 5,7% menor que 2018/17.
  • A USDA derrubou a safra americana de milho em 5 milhões de toneladas (371 para 366 milhões de toneladas). Para o mundo são esperados 1,1 bilhão de toneladas e estoques em quase 310 milhões de toneladas, com boas perspectivas na Argentina e no Brasil. Também caiu um pouco a estimativa para a soja, pois derrubou a produção nos EUA de 125,19 para 123,67 milhões de toneladas. A produção mundial caiu de 369 para 360 milhões de toneladas, boa parte com queda esperada no Brasil, mas a perspectiva é de amplo suprimento e estoques chegando a 33% do consumo. Esperam preços entre US$ 9,5 a US$ 10/bushel. Ou seja, caminhamos para uma situação agora de preços estáveis, com as chuvas voltando a cair no Brasil.
  • Segundo a Conab, o consumo de milho no Brasil na safra 2018/19 deve aumentar 4,4% chegando a 62,5 milhões de toneladas, em parte pela demanda das usinas de etanol.
  • Em janeiro o agro exportou US$ 6,626 bilhões, 7,4% a mais que o mesmo mês de 2018. As importações subiram 0,5%, e o saldo ficou em US$ 5,384 bilhões (9,2% acima). Os produtos florestais deram show, liderando o quadro com US$ 1,452 bilhão (26,3% a mais). O complexo soja veio em segundo com US$ 1,329 bilhão (28,9% acima) e as carnes US$ 1,030 bilhão, queda de 13,1%. A China comprou 23% do total exportado, e cresceu 31% na comparação com janeiro de 2018. Seguem firmes as exportações de soja e milho. Em janeiro foram 2,3 milhões de toneladas (56% a mais que janeiro de 2018) de soja, trazendo US$ 815 milhões. Esperam-se para fevereiro 6 milhões de toneladas (ANEC).
  • Em 2018 o setor de alimentos cresceu 2,08%, segundo a Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos). O total faturado chegou a R$ 656 bilhões e os empregos aumentaram em 0,5%, gerando 13 mil empregos adicionais aos mais de 1,6 milhão já existentes. A Abia espera em 2019 crescer ao redor de 3% em volume e vendas. Do faturamento total das empresas da Abia, a proporção é de 22% para proteína animal, 20% para bebidas, 10% para laticínios, 10% para café, chás e outros cereais, 9% para óleos e gorduras e quase 6% para derivados de trigo. Nesse 2018 os setores que mais cresceram foram os de óleos e gorduras (12%), vegetais, frutas e sucos (11,2%).
  • O índice de preços de alimentos da FAO subiu 1,8% em janeiro e está 3,7% abaixo de janeiro de 2018, puxado pelos lácteos principalmente.
  • 60% da soja do MT já foi colhida a um preço médio de quase R$ 63/saca. No fechamento desta coluna a saca de soja estava ao redor de R$ 72 no interior. O mercado futuro em Paranaguá já sinaliza acima de R$ 80/saca. O clima melhorou nas regiões produtoras do Brasil. Agora o risco está na Argentina.
  • Em destaques das empresas neste mês de fevereiro, vale ressaltar a Tyson Foods que comprou as operações da BRF na Europa e Tailândia.
  • A recém-criada Abinc (Associação Brasileira da Internet das Coisas) estima que apenas na safra 2018/19 os investimentos nas inovações tecnológicas devem passar de R$ 100 milhões. Isto traz impactos positivos na produtividade, com o maior uso de sensores, equipamentos e outros serviços que medem as atividades e condições de clima, solo, plantas e desempenho de máquinas.
  • Boa notícia ao setor de café, a Nestlé anunciou que o Brasil vai produzir capsulas de café com a marca Starbucks, marca que adquiriu por mais de US$ 7 bilhões no ano passado para participar mais ativamente do mercado de produtos diferenciados. As da Nespresso aqui consumidas vêm da Suíça. A empresa acredita em mercado crescendo 5% ao ano nesta década. Com a aquisição, a Nestlé tem marcas para distintos segmentos de consumo com Nestlé, Nescafé, Nespresso e agora a Starbucks.
 
Reflexões dos Fatos e Números da Cana
  • Na safra, até o final de janeiro,  já processamos 563,29 milho?es de toneladas, bem menos que o mesmo período da safra passada (583,83 milho?es de toneladas). Foram produzidos 26,36 milho?es de toneladas de açúcar, grande queda sobre os  35,83 milho?es de 2017/18. Para o etanol, foram feitos 30,29 bilhões de litros (9,18 bilhões de anidro e 21,10 bilhões de hidratado). No hidratado o aumento é de 43,3%.
  • Apesar de terem caído, os resultados da São Martinho foram bons no primeiro trimestre. Conseguiu mesmo com esta situação de preços adversos ter um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 417,3 milhões (margem Ebitda de 49,5%). Já no caso da Biosev, o Ebitda recuou cerca de 20%, ficando em R$ 471,6 milhões, com margem Ebitda de 38,47%. Quando se coloca o peso da dívida, aí vem o prejuízo. O resultado operacional das empresas é bom, o problema é a dívida.
  • Segundo a BP, o consumo de energias renováveis deve crescer 175% até 2040, ao redor de 4,5% ao ano. É uma boa taxa, mas menor que a do período 1995 até 2017, quando esteve pouco acima de 7,5%. A projeção da empresa é que em 2040, de todos os combustíveis líquidos consumidos no Brasil, cerca de 22% destes serão biocombustíveis.
  • As chuvas voltaram bem ao Centro-Sul neste mês e devem ajudar na recuperação dos canaviais, mas não devem alterar as 570 milhões de toneladas esperadas na safra 2019/20.
 
Reflexões dos Fatos e Números do Açúcar
  • Finalmente a queda de preços do açúcar se reflete em menor estímulo de produção. Na Europa as dificuldades são enormes e as exportações devem cair bastante. Segundo a empresa Cristal Union, entre 10 a 20 unidades industriais fecharão na Europa e outras culturas podem ocupar o espaço da beterraba. Antes tarde do que nunca.
  • A vantagem que o etanol tinha em relação ao açúcar caiu bastante. A Datagro já prevê que faremos 28,8 milhões de toneladas de açúcar em 2019-2020 no Centro-Sul, quase 9% acima da safra anterior. Mesmo assim, a empresa acredita em déficit de 3,05 milhões de toneladas na safra atual (outubro a setembro) e de 8,94 milhões de toneladas em 2019-2020.
  • As vendas do açúcar brasileiro em 2018 tiveram as seguintes participações: em primeiro lugar a Alvean com 3,45 milhões de toneladas (22% a menos) e 18,6% do total exportado; Wilmar com 3,3 milhões de toneladas e 17,9% do total; Sucden com 2,9 milhões de toneladas (15,6%); a Dreyfus com 1,5 milhão de toneladas (7,9%); a quinta foi a Copa Shipping (1,4 milhão de toneladas e 7,4% do total) e a sexta foi a Nolis, com 1,15 milhão de tonelada e 6,2% do total. O açúcar pelo Cepea está em R$ 69 a saca de 50 quilos do cristal, aumento de 0,38% no mês. Na Bolsa de NY rodando ao redor dos 13 centavos/libra peso, com tendência à estabilidade nesses próximos dois meses.
Reflexões dos Fatos e Números do Etanol e Energia
  • Em 2018, segundo a ANP, consumimos 19,4 bilhões de litros, sendo 42% acima de 2017. Apenas em um ano a frota flex consumiu 6 bilhões de litros a mais. A paridade média do ano foi de 66% e no ciclo Otto foi conquistado 46% do consumo total.
  • Desde o início da safra vendemos 25,69 bilhões de litros (18,06 bilhões hidratado e 7,63 bilhões de anidro), o que representa 35% a mais.
  • De acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), na segunda quinzena de janeiro as vendas de etanol pelas usinas foram de 960 milhões de litros, 32,3% a mais que o mesmo período do ano anterior. Na soma do mês foi  1,83 bilhão de litros, 32,4% maior. Conseguiu superar dezembro em 2,16%.
  • Em janeiro foram produzidos 100 milhões de litros de etanol de milho. Segundo a Conab, o consumo de milho no Brasil na safra 2018/19 deve aumentar 4,4% chegando a 62,5 milhões de toneladas, em parte pela demanda das usinas de etanol.
  • No começo de fevereiro os preços do hidratado na bomba estavam em média R$ 2,592/l, representando 64% do preço da gasolina e um preço médio cerca de 10% menos que fevereiro de 2018. Nas usinas o preço está cerca de 14% menor que o do mesmo período do ano passado. Em 15 de janeiro os estoques estavam em 4,5 bilhões de litros nas usinas, cerca de 70% acima do ano passado. Este estoque deve ser consumido até o início da safra. Porém, por estar elevado, derrubou  preços do hidratado para R$ 1,55 nas usinas e o anidro a R$ 1,73/l.
Finalizando, qual seria a minha estratégia com base nos fatos?
  • O que observar agora em fevereiro/março: Torcer para um consumo grande de etanol hidratado em fevereiro e março para ajudar a derrubar os estoques e começar a safra com perspectivas melhores. Como os preços do petróleo estão estáveis e a gasolina deve permanecer com este preço, o consumo de hidratado deve ser forte. Temos que acompanhar: clima, consumo, petróleo, gasolina, câmbio e a evolução dos estoques neste mês de março. Acredito em melhoria.
 
  • Quem é o homenageado do mês?
ü  Desta vez nossa singela homenagem vai ao amigo Maurílio Biagi, que sempre incentivou minha carreira. Assim que cheguei a Ribeirão Preto, contratado pela FEARP no final de 1995, Maurílio colocou minhas mãos para fazer o projeto e o plano estratégico da Crystalsev, que operou com sucesso por muitos anos. Além deste projeto, foram inúmeras interações sempre com grande aprendizado em 25 anos de excelente convivência.
 
 
Haja Limão
Estamos precisando de melhor coordenação no governo. Muitas cabeçadas entre a turma da família do Presidente, do PSL e outros da base aliada. Agora precisamos de coesão para tramitar e aprovar as reformas ainda neste primeiro semestre.
 
 
*Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio. Confira textos, vídeos e outros materiais no site doutoragro.com

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