Copercana ativa na pesquisa relacionada ao amendoim

Por: Marino Guerra


Um projeto agrícola que prima pela qualidade, como é o de amendoim da Copercana, dificilmente conseguiria atingir os patamares que está hoje se não tivesse construído, desde o começo, uma ponte com bases bem firmes com a área de pesquisa. E como a operação está localizada no estado de São Paulo, é inevitável que o principal parceiro seja o IAC (Instituto Agronômico de Campinas).

Dentro dessa parceria, são diversas linhas que a equipe do Departamento Técnico da Unidade de Grãos está envolvida, sendo a principal delas o programa de melhoramento genético, hoje o mais utilizado no Brasil.

Para se ter ideia de sua importância, as três principais cultivares plantadas pelos participantes do projeto no último ciclo nasceram no IAC. São elas: IAC OL 4 (cerca de 8 mil hectares), IAC 505 e IAC OL 3 (cerca de 2,5 mil hectares cada uma).
A parceria consiste no desenvolvimento de novas variedades pelo IAC, que fornece as sementes para a Copercana e também outras empresas envolvidas que executam o seu desenvolvimento. Se elas vingarem é feito o registro no Ministério da Agricultura e passam a virar cultivares, ou seja, podem entrar em operações comerciais.

Dentre as que estão no campo de experimento hoje, a mais desenvolvida é a IAC OL 5, uma variedade que já está liberada para comercialização e se encontra em fase final de testes e também multiplicação.

Segundo o pesquisador do IAC, Ignácio José de Godói, em um comparativo com a IAC OL3, a nova cultivar consegue manter o bom número de produtividade e também a geometria arredondada do seu grão (bastante valorizada nos mercados mais exigentes), porém ela se destaca quando observada a resistência a doenças, em especial a pinta preta, a qual poderá eliminar pelo menos uma aplicação de fungicida ao longo de seu ciclo.

Godói ainda aponta para mais uma provável característica que, se comprovada, cairá na graça de boa parte dos produtores: “Temos indícios sólidos de que a OL 5 seja mais resistente em relação à seca, mas alerto que ainda não há informações concretas sobre essa característica”.

Outra variedade que trará novidades para o agricultor de amendoim é a IAC Top Verde, uma planta que produz grão vermelho (muito parecido com o Tatu) mas de porte rasteiro como as Runners, a qual foi desenvolvida para conseguir resistir às doenças da cultura sem a aplicação de fungicidas, até mesmo quando se trata da temida pinta preta.
 
O pesquisador fala que desde o começo dos trabalhos com ela era sabido da alta rejeição do mercado pelo amendoim de pele vermelha, mas o fato dela ter em sua genética essa resistência, abre um novo mercado, também interessante e que paga bem, o de orgânicos.
Sobre o que a pesquisa está buscando em relação às linhagens que estão em um ponto mais inicial de desenvolvimento, Godói aponta para quatro características principais: atingir precocidade de 120 a 125 dias (hoje os ciclos mais curtos são de 130 dias), ganho de produtividade, manter o formato dos grãos no padrão Runner de arredondamento e também preservar o alto índice oleico (grande porcentagem desse ácido graxo em sua composição, o que dá maior tempo de prateleira para o óleo).
 
Outra pesquisa que a Copercana executa em seu campo de teste está em relação se há alguma mistura para o tratamento químico das sementes melhor do que a usada atualmente. Para isso são feitos diversos canteiros com formulações diferentes e analisadas diversas características que podem indicar uma eventual mudança na composição.
 
Os técnicos da cooperativa também acompanham de perto o que a pesquisa está trabalhando em relação ao combate de daninhas, pragas e doenças. Um exemplo é o trabalho que o pesquisador da Apta Regional Pindorama, Marcos Donisete Michelotto, está desenvolvendo em relação ao percevejo preto, uma praga de solo que come parte dos grãos causando danos, principalmente, em relação a sua valorização pelo formato.
A pesquisa, que teve início na safra 17/18, consiste no monitoramento da praga, através da elaboração de armadilhas e também a coleta de solo ao utilizar a técnica das trincheiras, para conseguir configurar dados referentes à população e com isso ter conclusões concretas sobre danos a lavoura.
 
Outro ponto do estudo é a execução de diversos ensaios com dosagens diferentes de defensivos (químicos e biológicos) com o objetivo de encontrar a aplicação que faça o controle da praga sem que o grão seja contaminado.
 
Para o membro do time técnico da Unidade de Grãos da Copercana, o engenheiro agrônomo Edgard Matrangolo Junior, o constante envolvimento da cooperativa com o mundo científico se dá principalmente por dois motivos. O primeiro é o fato dela estar sempre atualizada (seja na questão de variedades ou alguma forma de manejo) e também no sentido de recomendar sempre o melhor aos agricultores participantes. “Toda recomendação feita dentro do projeto é sempre pautada em pesquisa”, conclui.

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