De braços tecnológicos abertos

Por: Marino Guerra
 
Ainda não foi dessa vez que um dos principais fabricantes de autopropelidos lançou na Agrishow uma máquina que possuísse as seguintes características: mais de 1,80 m de vão livre; segurança para aplicação em meia barra; controle de pressão bico-a-bico conforme a mudança de velocidade e também através de uma leitura das condições climáticas do local; zero de pisoteio (principalmente na manobra de saída e entrada do talhão) e baixa compactação; alta estabilidade da barra, dotada de tração inteligente (para superar atoleiros e subidas íngremes), sistema de troca de tanque ágil (mudança de líquidos para sólidos, por exemplo) e sensores que identificam a planta daninha e escolhe o melhor herbicida ou até mesmo misture dois produtos para aplicação (pensando em uma operação de catação).
 
A boa notícia é que tal máquina está prestes a ser desenvolvida porque todas as soluções acima já estão a bordo ou estão muito próximas de serem lançadas, basta unir tudo em cima do mesmo chassi.
 
Quando observada a questão do vão livre, o líder do mercado é o Uniport Canavieiro 3030 da Jacto, com 1,72 m. O equipamento também atinge a maior altura de trabalho da barra do segmento, com 2,30 m, viabilizando operações em canaviais altos como aplicação de fungicida, adubações foliares e até mesmo inseticida para cigarrinha, se candidatando como uma alternativa interessante frente à aplicação aérea.
 
Ao comparar esse quesito com as outras opções de destaque na feira, o pulverizador M4040 da John Deere é o segundo mais alto, com 1,70 m. Seguidos pelo Defensor, da New Holland, o BS3330H da Valtra (ambos com 1,65 m) e o Trident 5550 da Case, com 1,60 m de vão livre.
 
A cultura canavieira exige dos pulverizadores automotrizes uma característica bastante peculiar, a possiblidade de trabalhar com meia barra para executar o serviço nas bordaduras dos talhões. Para esse manejo apenas duas marcas destacaram suas máquinas homologadas, inclusive a Valtra utilizou-se desse fato como foco do lançamento do modelo BS3330H na Agrishow, na versão de 24 m.
 
Segundo a empresa, a máquina atua em meia barra com estabilidade e resistência graças a um sistema que trava o quadro na maior altura de aplicação. O outro autopropelido, cuja mesma característica é assegurada pela fabricante, é o Uniport 3030 Canavieiro da Jacto, que oferta essa possiblidade ao mercado desde a versão anterior, lançada há mais de dez anos.
 
Como não poderia deixar de ser, o maior número de novidades foi em relação à precisão de vazão e tamanho de gota conforme a velocidade de aplicação. Diante disso, a New Holland traz no Defensor uma solução denominada IntelliSpray, um sistema baseado no controle da vazão da calda que vai para a barra integrado com um controle de pressão instalado em cada bico e que controla o tamanho da gota conforme a velocidade de aplicação.
 
Já a John Deere, na Série M4000, apresentou a tecnologia ExactApply que pode trabalhar com até 30 pulsos por segundo (de acordo com a fabricante, isso é três vezes maior que qualquer outra do mercado) e consiste na ação de até dois bicos simultaneamente, conforme a variação de velocidade.
 
A Valtra lançou o sistema ProStop, dotado de válvulas localizadas em cada bico, que abrem ou fecham (pensando em entrada e saída do talhão) na velocidade recorde de 0,08 segundos, o que, segundo a montadora, gera uma economia de 98% em relação as outras tecnologias similares no momento específico de desligamento automático da pulverização.
 
O Trident, da Case, também possui um sistema de controle para manter a pressão constante conforme a variação da velocidade, porém o seu grande destaque e exclusividade no sentido de aplicação é a flexibilidade em poder aplicar tanto insumos líquidos como sólidos, necessitando de apenas três pessoas, um guincho e apenas 42 minutos para trocar o tanque líquido para o reservatório de sólidos.
 
Sobre a possibilidade de uma estação meteorológica embarcada capaz de fazer a leitura de temperatura, umidade e vento, apenas as máquinas da Jacto e John Deere oferecem essa tecnologia importante para monitorar se as operações estão acontecendo nas melhores condições de microclima possíveis.
 
Diminuir o pisoteio e a compactação do solo também é uma preocupação dos produtores, até porque um autopropelido será a máquina que mais entrará no talhão ao longo do ano. Sendo assim, a Case equipou o Trident com rodas dupladas fazendo com que a área de contato e consequentemente o peso sejam divididos em oito rodas e não em quatro como os outros modelos. Um segundo detalhe do modelo vermelho é que há uma distância entre as rodas, fazendo com que não ocorra pisoteio quando utilizado em uma roça de grãos ou amendoim.
 
A Jacto, também preocupada com essa questão, deixou os pneus de seu Uniport Canavieiro mais largos em relação às máquinas desenvolvidas para o setor de grãos, mas também tem a opção mais leve do mercado, tanto que seu peso cheio (tanque de calda e combustível) é muito próximo das outras opções, quando vazias, por conseguir montar um esqueleto com material de alta resistência e com chapas mais finas.
 
Além disso, a montadora de Pompeia-SP, é a única a oferecer o sistema Unitrack, que permite a manobra das quatro rodas, zerando o pisoteio de saída e entrada de talhão e também apresentando expressivos ganhos de produtividade por derrubar consideravelmente o tempo de manobra.
 
A John Deere foi além da questão da redução da compactação quando ousou e inseriu a barra de fibra de carbono (330 kg a menos em relação ao aço), aumentando a competitividade quanto ao consumo de diesel, melhorando a estabilidade ao distribuir de maneira mais uniforme o peso entre o eixo dianteiro e traseiro, reduzindo os danos à cultura por contato com a barra e gerando maior durabilidade, pois o material é mais resistente à corrosão e aos raios de sol.
 
Na área da estabilidade, a Valtra também inovou, tanto em barra como na estrutura. Para os braços foram implementados três sistemas diferentes. Com o objetivo de reduzir o efeito de “bater asas” com ganho ou redução de velocidade, foi inserido um sistema de suspensão horizontal, praticamente anulando-o.
 
Como solução de redução da movimentação pendular, o quadro central foi montado com um sistema de roletes, patenteado pela AGCO. O equipamento conta ainda com o desarme e rearme automático multidirecional da ponteira (três últimos metros de cada lado) como medida de segurança, caso a barra bata em algum obstáculo.
 
Em seu projeto estrutural, os modelos da Série BS3300 possuem o chassi construído em viga “C” e parafusada, deixando-o mais flexível e, observando a dirigibilidade e o conforto do operador, é o único pulverizador cuja cabine está posicionada entre-eixos (exatamente no seu meio) e acrescida de amortecedores exclusivos, reduzindo os trancos devido às declividades do terreno.
 
Enquanto isso, a engenharia da Jacto oferece uma solução tão importante para a estabilidade como para enfrentar atoleiros e subidas. Com o controle independente de tração, cada roda continua a trabalhar caso alguma saia do chão ou derrape, tornando-se a única máquina que encara uma rampa de 26% (altimetria de 26 metros dentro de um espaço de 100 metros) totalmente carregada.
 
Dentre este verdadeiro show tecnológico, as únicas soluções que não estão embarcadas nos pulverizadores são o reconhecimento e a abertura automática do bico, quando esse passa sobre uma planta daninha em uma operação de catação.
 
Porém, duas empresas estão em processo adiantado na busca por viabilizar esse recurso, conhecido como “pulverização seletiva térrea” (sem o uso de drones). A Agres apresentou na Agrishow a “Claudia”, que consiste na utilização de um sistema de visão embarcada e de processadores associados a um desenvolvimento de IA (Inteligência Artificial) capaz de selecionar qual é a cultura e a planta daninha no instante que a barra passa em cima da área.
 
Colocando o sarrafo um pouco mais alto, o pessoal da plataforma digital “xarvio”, da Basf, mostrou uma solução parecida, porém, além de identificar a planta daninha, a tecnologia escolhe uma das três caldas diferentes que será recomendada no combate. Com isso, em uma mesma catação, seria possível utilizar produtos específicos que combatam, por exemplo, gramíneas, folhas estreitas e largas.
 
Ao olhar a foto dos autopropelidos na Agrishow 2019, percebe-se que esse tipo de máquina acompanha o ritmo da marcha de inovação de todo o agro, e para provar isso basta olhar para o passado e constatar que a sua primeira versão (específica para cana-de-açúcar) foi lançada há quinze anos.

mais
Notícias
do setor

FAZENDAS PJ 23 de Agosto 2019

Por: Marino Guerra   No último dia de Fenasucro o deputado federal Baleia Rossi participou de evento para explicar de maneira detalhada a [...]

ler mais

PRESTAÇÃO DE CONTAS 22 de Agosto 2019

Por: Marino Guerra   O deputado federal e presidente da Frente Parlamentar do Setor Sucroenergético, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), esteve na tarde [...]

ler mais

ETANOL DE MILHO A PAULISTA? 22 de Agosto 2019

Por: Marino Guerra   É inegável que para suprir o crescimento da demanda de etanol (que vai acontecer de maneira expressiva nos [...]

ler mais

Alarme falso 21 de Agosto 2019

Por: Marino Guerra   Em sua visita a Fenasucro o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, declarou que o temor por uma recessão mundial iniciado na [...]

ler mais

Passos da WEG/TGM 21 de Agosto 2019

Por: Marino Guerra   Os executivos da WEG/TGM concederam uma entrevista coletiva na unidade fabril do grupo em Sertãozinho a qual apresentaram as [...]

ler mais

A recessão mundial e o setor 20 de Agosto 2019

Por: Marino Guerra   Em visita ao estande da Copercana durante a Fenasucro 2019, o presidente da Unica, Evandro Gussi, conversou com a reportagem da [...]

ler mais

@ 2019 Agronegócios Copercana Todos os direitos reservados