Consumo de hidratado cresce 36% em 4 meses

Reflexões dos Fatos e Números do Agro


  • Há períodos em que esta análise mensal do agro só apresenta números sem grandes emoções. Neste mês, cada dia conta devido à enorme turbulência! Haja emoção e vamos à análise para tentar ajudar nas tomadas de decisões.
  • A elevação da temperatura nas relações comerciais entre China e EUA trouxeram mais incertezas na manutenção do ritmo do crescimento global. O OCDE agora estima este em 3,2% com as diminuições do fluxo de comércio. Poderia voltar a 3,4% em 2020, mas dependente da não escalada tarifária principalmente entre China e EUA. EUA deverão crescer 2,8% neste ano, a China 6,2%, Japão 0,7% e a Zona do Euro 1,2%. 
  • A falta de acordo com a China vem sendo muito prejudicial aos produtores dos EUA, mas o governo deve disponibilizar entre US$ 15 a 16 bilhões em ajuda. Outro problema nos EUA que pode ter impacto positivo ao agro brasileiro é a ameaça, pelo presidente Trump de tributar produtos mexicanos em virtude dos problemas de imigração. O México é grande importador de produtos agro dos EUA.
  • Tivemos mais evoluções no importante tópico da peste suína africana. Foi reportado que já está na Mongólia, Vietnã e Cambódia, desde sua primeira eclosão em agosto na China. Na China estima-se que 40 milhões de animais foram abatidos e muitos mais serão, abrindo espaços para importações de carnes. Grandes esforços sendo feitos pelo USDA para evitar que a doença chegue aos EUA, uma ameaça real. No relatório bianual publicado pela FAO, os impactos da peste suína farão com que que as importações de soja pela China caiam outra vez das 94 milhões de t importadas em 2017/18 para 84 milhões de t. Será um período difícil para os produtores americanos de soja, mas melhor para os produtores de suínos, com importações chinesas já oito vezes maiores. Outro movimento que se observa, como existe a tarifa sobre os EUA, é o Canadá vendendo mais para a China e importando dos EUA para o seu mercado.
  • Os cinco fatos para acompanhar agora diariamente em junho são:
a) O mais importante: o plantio da safra nos EUA. Estima-se que mais de 2,5 milhões de hectares deixarão de ser plantados com milho devido às chuvas, o que fez os preços subirem para o maior valor em três anos e também subirem no Brasil. As datas para plantar e requisitar o seguro já estão fechadas e o relatório do USDA mais recente mostra o milho com apenas 67% da área plantada, contra 96% dos cinco anos anteriores e a soja com 39% contra 79% da média de cinco anos, ainda podendo ter alguma recuperação;
b) Os impactos da evolução da gripe suína africana na China nas importações e preços de carnes e grãos;
c) As questões comerciais de China e EUA e mais recentemente deste com o México e seus impactos nos fluxos de comércio;
d) O andamento das reformas no Brasil e as pressões no câmbio, que voltou a se valorizar e;
e) O impacto deste caso isolado de BSE (vaca louca) atípica num animal idoso na pecuária brasileira e suas exportações. Não teremos problemas com a OIE, mas foram temporariamente suspensas pelo Mapa as exportações para a China, mas creio que por pouco tempo. Que período turbulento para os grãos e as carnes. Em junho cada dia conta!
  • No geral, a conjuntura internacional está favorável ao agro brasileiro, o que precisa ganhar velocidade é a conjuntura interna, com um movimento cada vez mais forte da sociedade civil organizada pressionando a classe política pela apresentação e aprovação das reformas emergenciais para consertar coisas erradas, mas também, principalmente, de um plano estratégico para o país. 
 
Reflexões dos Fatos e Números da Cana, Açúcar e Etanol
  • O presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar) acredita que podemos produzir entre 47 e 50 bilhões de litros de etanol por safra até 2028, lembrando que hoje estamos ao redor de 33 bilhões de litros. Este crescimento será graças ao RenovaBio e tudo o que vem por trás destes investimentos em ampliação das unidades. Poderão ser emitidas debêntures no valor de R$ 62,3 bilhões por ano.
  • O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) aprovou em 4 de junho o período de 180 dias para que o Ministério da Economia analise as mudanças de tributação para a liberalização do mercado de etanol. Parece que desta vez veio para ficar. Um dos agentes da cadeia seria o responsável pelo recolhimento de todos os impostos. É necessário aprovação do Congresso. Além da questão tributária, é necessário ver como funcionarão os controles de qualidade, o efetivo pagamento de impostos e os créditos do RenovaBio.
  • Segundo a ANP, o consumo nacional de combustíveis cresceu 3,3% em abril, atingindo 11,479 bilhões de litros. Com isso, o primeiro quadrimestre fechou com 2,1% a mais. O consumo de diesel subiu 1,6% no quadrimestre, a gasolina teve um recuo de 8,4% graças aos preços mais elevados, e vem sendo impactada pelo crescimento do etanol, que foi de 41,2% em abril e 35,6% no quadrimestre.
  • Em maio vendemos 1,781 milhão de t de açúcar (bruto e refinado), valor que foi 15% menor em comparação com maio de 2018, mas avançamos 41% sobre as 1,264 milhão de t de abril. Em valores, maio nos trouxe US$ 548 milhões, quase 47% a mais que os US$ 373,8 milhões de abril e 14% menor que maio de 2018, que nos trouxe US$ 634,5 milhões. Em cinco meses exportamos de açúcar 6,462 milhões de t, 17% menor que os cinco primeiros meses de maio de 2018. A receita foi de US$ 1,907 bilhão, praticamente 28% menor que os US$ 2,629 bilhões dos primeiros cinco meses de 2018.
  • De etanol foram vendidos ao exterior em maio quase 166 milhões de litros e em valor US$ 78 milhões. Em cinco meses foram exportados 534,1 milhões de litros, quase 30% a mais que os 413,2 milhões do mesmo período de 2018. Na receita foram US$ 275,1 milhões, 8% a mais que igual período de 2018.
Qual seria a minha estratégia com base nos fatos?
 
  • O que observar agora em julho: me preocupou muito a queda dos preços do petróleo. Temos que acompanhar diariamente. Caiu mais de 10% no mês, mas aparentemente se estabilizou desde 1º de junho. Se cair como no ano passado, compromete toda a estratégia que desenhei aqui desde janeiro. No açúcar, o mês foi de estabilidade, portanto esta variável (preços do petróleo/gasolina e o incrível aumento de consumo de hidratado) é a que nos resta para torcer.
  • Vale ressaltar o excelente congresso da Associação Mundial de Produtores de Cana e Beterraba, que aconteceu nos primeiros dias de junho em Ribeirão Preto, presença de mais de 30 países e 200 congressistas. O time da Orplana, liderado pelo Celso Albano, deu um verdadeiro show e merece os parabéns de toda a cadeia produtiva. O Brasil organizou um dos melhores congressos da WABCG. Que orgulho!
 
Homenageado do mês
  • Desta vez nossa singela homenagem vai ao amigo Manoel Ortolan. É o único que tem duas homenagens nesta coluna. Manoel Ortolan deveria ser homenageado todos os meses. Força, meu amigo!
 
*Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio. Confira textos, vídeos e outros materiais no site doutoragro.com

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