Aprimorando as técnicas de agricultura de precisão e mecanização em cana-de-açúcar

Por: Fernanda Clariano


Segundo dados da FAO, em 2050 a população será de 9,8 milhões – 29% a mais do número atual e o crescimento maior será nos países em desenvolvimento – 70% da população será urbana, e os níveis de renda serão maiores que os atuais. A produção de cereais deve aumentar para 3 milhões de toneladas/ano em relação aos 2,5 produzidos atualmente. A produção de carne precisa aumentar em mais de 200 milhões de toneladas. Visto isso, a produção de alimentos no mundo deverá ser otimizada, ou seja, produzir mais com menos insumos e sem aumento substancial de áreas. E a cana-de-açúcar? E o setor energético?

O Brasil é o celeiro do mundo com relação à produção de alimentos e energia e, investimentos em pesquisas e desenvolvimentos no setor agrícola são essenciais para a atividade no campo. Entre as áreas desta atuação estão o melhoramento genético de plantas, formulações de novas moléculas para proteção de plantas, fertilizantes mais responsivos e máquinas com maior tecnologia embarcada. A era da agricultura digital – a agricultura 4.0 está aí, e engloba tecnologias que vão desde automação no campo para produção, até a troca de dados entre implementos e o centro de operação – também chamado de CIA - Centro de Inteligência Agrícola, dentro de uma unidade produtora.
Essas transformações têm relações com a quarta revolução industrial, marcada pela convergência de tecnologias físicas, biológicas e digitais como a IoT - Internet das Coisas - que é a conexão de objetos com a rede para coletar e transmitir dados e a computação em nuvem – uso de memória computacional, armazenamentos e cálculos via objetos interligados à internet.

O que esperar das máquinas modernas? O ponto chave para o desenvolvimento agrícola está no gerenciamento, na variabilidade existente nos campos agrícolas que nada mais é do que a famosa agricultura de precisão. Nos últimos tempos vêm surgindo tecnologias que ajudam a obter dados de produção no campo, mas nada adianta a coleta de dados sem a análise e a geração de informações úteis que ajudam o produtor rural a tomar decisões mais assertivas a partir do momento em que são identificados problemas e os locais onde eles ocorrem.

Aplicações de adubos e corretivos na faixa variada, aplicações localizadas em defensivos agrícolas, também quando o problema ocorre e direcionamento automático de máquinas agrícolas são alguns exemplos do que se espera das máquinas atuais, as quais não substituem os técnicos de campo, mas sim a partir das suas tomadas de decisões torna as operações mais exatas visando principalmente à redução dos custos e aumento da produtividade.

Para discutir os problemas da mecanização na região de Ribeirão Preto, maior produtora de cana-de-açúcar do país, focados na otimização da utilização de recursos, novas tecnologias de produção mecanizada, agricultura de precisão, aliado à preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente - além de promover o aprimoramento das operações agrícolas mecanizadas na cultura da cana-de-açúcar, divulgar novas tecnologias do setor e proporcionar a oportunidade para a troca de experiências e conhecimentos entre os participantes - o LAMMA (Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola) e a Funep (Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Extensão) realizaram nos dias 23 e 24 de maio, no Centro de Convenções da FCAV/Unesp de Jaboticabal, a sexta edição do SPMEC (Simpósio de Agricultura de Precisão e Mecanização em Cana-de-açúcar).

O evento reuniu profissionais do setor canavieiro, produtores, estudantes e pesquisadores das áreas de mecanização agrícola e agricultura de precisão. Na oportunidade, renomados palestrantes proferiram apresentações sobre redução de custos na mecanização, agricultura de precisão e cases de sucesso.

O diretor da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), Celso Torquato Junqueira Franco, proferiu sobre como a utilização de tecnologia de mecanização impactou o setor sucroenergético, onde fez um breve relato do histórico do setor abordando vários temas e levando os participantes a uma reflexão e busca por soluções. De acordo com ele, o tema é ao mesmo tempo provocativo e insinuante de reflexões pelo quanto de falhas e erros que são cometidos, mas por outro lado há muitas oportunidades. Em sua opinião, os maiores problemas não estão relacionados a mercado e sim nas oportunidades no campo. Produzir cana com menor custo por tonelada ou produzir cana com maior resultado por hectare?

“Há uma tendência de produzir maior resultado, o que implica em ter mais custo por tonelada também, mas nem sempre. Talvez produzir o máximo pode levar em mais equívocos, mas o foco tem que ser sempre na rentabilidade”, disse Franco que ainda comentou sobre a questão da prioridade na produção de cana, se deve ser a curto ou longo prazo. “Esse é o conflito que tem se vivenciado. Por falta de recurso e capital, o curto prazo vem sendo priorizado e isso é que está deixando o setor como está. Se não houver uma visão de longo prazo, se não olhar o sistema como um todo, se não se antecipar no planejamento, haverá muita bobagem e as injunções serão pífias”.

O especialista de mecanização agrícola, Douglas Edson Rocha, contextualizou em sua apresentação o que se deve fazer para obter bons resultados na colheita de cana e, na oportunidade, frisou quatro elementos chaves que precisam ser avaliados com critérios: o solo – como é feita a sua preparação, se está sistematizado em termos de regularidade e nivelação, a forma em que a área foi dividida (traçada); a cana, quais as condições e áreas que se têm, se é uma cana fraca ou forte, se está ereta ou tombada, se está com infestação de ervas daninhas; a máquina (o equipamento) – é importante entender quais são as condições dos equipamentos (colhedora, trator, transbordo), se estão adequados, preparados e como é feita a manutenção. E também as pessoas – se elas estão treinadas, conhecem os componentes da máquina, as regulagens, a área, o tipo de cana e se são comprometidas

“Esses quatro elementos fazem parte de um processo e não se pode deixar de olhar, se um desses não estiver adequadamente ajustado, o resultado vai aparecer de forma não muito boa. Uma operação correta, com máquinas em perfeito estado, organização da frente e pessoas treinadas, resultará em maior produção e menores custos com manutenção, ou com impurezas, com menor custo no transporte e isso impacta de forma favorável”, disse Rocha.


Sistematização visando à colheitabilidade

O proprietário da Agrícola Rio Claro, Luiz Carlos Dalben, falou sobre as experiências que vem obtendo em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, em uma área de 5.145 hectares onde produz 320 mil toneladas de cana por ano.

De acordo com Dalben, os aspectos conservacionistas do solo são muito importantes dentro do seu processo de sistematização. “Uma das coisas que tenho observado e que tem que ser feito é o formato dos talhões - das quadras, em termos de comprimento e largura para se trabalhar algumas questões e uma delas são os rendimentos operacionais”, afirmou o profissional que também destacou: “Na sistematização é importante a declividade, a topografia. É preciso olhar o clima da região, a sua época de preparo e plantio porque os grandes problemas que aparecem na cultura da cana principalmente na questão de conservação de solo, água e erosão, é no momento em que se está preparando e plantando a cultura”.

Utilização de drones para pulverização agrícola em cana
De acordo com o pesquisador da Embrapa Lúcio Jorge, o uso do drone virou rotina no campo e nas cidades, porém, precisa ser utilizado de forma segura e consciente. Em sua explanação também destacou as vantagens e limitações dos multirrotores. Segundo ele, dentre as vantagens estão a fácil operação; a praticidade; a grande precisão de voo; a imagem estabilizada; ser 100% autônomo, a decolagem e o pouso sem grandes riscos e o voo não depende da direção do vento. Já dentre as limitações, destacou a baixa autonomia de voo; a baixa capacidade de carga; a produtividade menor e a razão de planeio "zero".

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