A falta de especificidade para a colheita de soja canavieira

Por: Marino Guerra
 
É nítido que a realidade do canavieiro que planta soja na rotação de cultura é completamente diferente se comparada às grandes produções do Mato Grosso. Porém, uma constatação que talvez a indústria de máquinas não tenha feito é que, principalmente relacionada às opções de colheitadeiras, as necessidades também se diferem dos pequenos e médios produtores de grãos.
 
Então, se considerarmos os desafios em se desenvolver uma cultura intercalar numa meiosi, a especificidade aumenta muito mais.
 
Vários são os pontos de adequação que o projeto de uma “colheitadeira canavieira” teria. A título de exemplificação, a máquina poderia possuir um sistema que a permitisse trabalhar em terrenos mais acidentados; plataformas do tamanho exato do espaço da soja ou milho intercalar na meiosi em desdobras mais comuns (1 pra 8 ou 1 pra 12), evitando assim uma segunda passada; evolução na questão das manobras em espaços curtos e facilidade de transporte, principalmente pensando na circulação em carreadores apertados que se estreitam enquanto o canavial cresce.
 
Dentre as opções disponíveis no mercado, há características que podem ser atendidas em parte. Uma linha interessante são as colhedoras híbridas da Massey Ferguson, visto que sua concepção está apoiada em dois pilares importantes: praticidade e eficiência.
 
O principal destaque da linha e que o próprio nome diz, é o seu sistema hibrido, que possui trilha e a separação distintos, cada um com o seu rotor, gerando baixa demanda por potência, o que acarreta em redução de custo de combustível.
 
Segundo a fabricante, essa linha é voltada para lavouras com grandes volumes de palha, alta umidade e com mais de 15% de inclinação. Cenário encarado por muitos canavieiros que plantam soja no verão.
 
As opções de plataforma também são significativas. O modelo 4690 oferece as duas menores, de 18 ou 20 pés (indicadas para quem tem dificuldade de transporte e também meiosi com a desdobra mais estreita); na versão 5690 é possível conectar a opção de 23 pés, enquanto que a maior da linha, a 6690, permite uma plataforma de esteira (draper) de 25 pés.
 
Todas as plataformas menores são do sistema caracol, comprovadamente a menos eficiente em relação ao draper. De repente, pensar em trazer a tecnologia para as opções de menor porte deixaria a máquina ainda melhor para o público da cana.
 
A New Holland também apresentou na feira um recurso importante em sua linha de colhedoras, principalmente para os produtores que trabalham com declividades maiores. Graças a um sistema de peneiras autonivelantes, o fabricante garante que é possível colher com até 17% de diferença num tiro de 100 metros.
 
Observando as grandes inovações do segmento, há tecnologias bem interessantes, só que todas para as máquinas tops. Um exemplo é a John Deere, que embarcou o Active Vision, sistema capaz de analisar a qualidade do grão a cada dois segundos e regular a máquina de maneira automática a cada três minutos. Ele ainda consegue realizar a pesagem automática do grão e desenhar um mapa de qualidade relacionando-o com a área. Para se ter ideia, numa máquina normal o operador precisa descer pelo menos três vezes ao dia para executar a regulagem.
 
Já a Valtra trabalhou na dispersão das peças internamente, trazendo os motores alinhados ao rotor (que faz trilha e separação), aumentando assim a eficiência na transmissão. Outro detalhe nesse sentido é o fato das laterais estarem mais simples, o que facilita no processo de manutenção.
 
Ainda dentro da tecnologia da Valtra, destacam-se os radiadores em V, onde a própria máquina faz sua reversão e, proporcionalmente, a sua limpeza a cada 15 minutos, evitando um trabalho manual que deixaria a máquina parada por pelo menos uma hora.
 
A essência dessa reportagem mostra que a tecnologia de maquinários da soja está bastante avançada em relação à cana. No entanto, só pelo fato da existência desse texto, já aponta que ao assumir o cultivo do grão como a segunda cultura, todo o banho tecnológico da cultura acabará por refletir e, com isso, dar ares mais inovadores ao produtor de cana.

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