MANEJO DE FUNGICIDAS

Por: Marino Guerra
 
Durante o Congresso Nacional da Bioenergia, que aconteceu em Araçatuba, no mês de agosto, houve um painel exclusivo para a discussão das melhores práticas de uso de fungicidas em lavoura de cana-de-açúcar.
 
O primeiro a apresentar os resultados foi o diretor agroindustrial da Cofco, José Alcides Hernandes Ferreira, que relatou que para convencer a empresa a utilizar o produto sem a patogenia (pois não havia problemas de doença), fechou um contrato de risco com uma marca e, se os resultados não fossem satisfatórios, a mercadoria não seria paga.
 
O experimento aconteceu na safra 18/19 e consistiu na separação de uma área testemunha (sem aplicação) e outra que recebeu o fungicida, na dosagem de 500 ml por hectare em duas aplicações. Neste, foram separados quatro pontos de levantamento sendo cada um composto por quatro linhas de cana por dez metros de comprimento.
 
Para cada linha analisada foi avaliado número de perfilhos, como também metragem de falhas acumuladas, peso de dez canas, altura, quantidade de entrenós e diâmetro.
 
O resultado de peso foi de 15 toneladas por hectare. Quando analisada a quantidade de açúcar por hectare, o ganho foi de 1,44 tonelada. Ao olhar pelo aspecto financeiro, o executivo mostrou que o investimento foi de R$ 139,70 por hectare contra um acréscimo de receita de R$ 736,50, o que gerou um lucro de R$ 596,81.
 
O gerente agrícola da Alcoeste, Paulo Cícero Guilherme Oliveira de Pietro, também apresentou o case sobre o uso do fungicida. O resultado mais interessante é a respeito do comparativo por número de corte, onde a produtividade em primeiro e segundo corte não teve diferença, enquanto que no terceiro, quarto e quinto houve um incremento de 11%.
 
Em seu cálculo financeiro, numa área tratada de 6,9 mil hectares, foi demandado um investimento total de R$ 771 mil. Com um incremento de cana na moenda de 149 mil toneladas, o caixa recebeu R$ 7,6 milhões, ou seja, para cada R$ 1,00 investido, o retorno foi de R$ 9,80.
 
No debate final ficou consolidada a visão de que o uso de fungicida como mantenedor da saúde foliar da planta é imprescindível, mas com o detalhe de que sua aplicação no primeiro corte não trouxe resultado e que em anos mais secos o ganho de produtividade é maior, se comparado com regiões ou anos mais úmidos e frios.

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