CANA E ÁGUA

Por: Marino Guerra
 
Em meio à revolução de tudo o que a humanidade passa, nada é mais irracional do que as verdades absolutas. A velocidade com que são adquiridas e processadas as informações, gerando cenários profundos para interpretações e tomadas de decisão exige que qualquer atividade humana reveja constantemente seus processos com os objetivos de minimizar custos e maximizar a produtividade.
 
Essa transformação acontece em todas as atividades humanas. Na medicina, por exemplo, as curas são muito mais assertivas quando os médicos conseguem cruzar os dados de sintomas com os resultados de exames, perfil genético, histórico do paciente e formas de terapia.
 
Na indústria, então, esse processo está muito mais acelerado, com robôs tomando conta de gigantescos estoques, complexas linhas de produção e até mesmo despachando a produção final.
 
Como não poderia deixar de ser, o avanço também chegou ao agronegócio. A precisão está atingindo níveis tão altos no campo que não é absurdo nenhum pensar em manejos específicos que darão a dose certa para a planta se desenvolver com apenas um zoom de metros lineares.
 
A cultura da cana-de-açúcar está inserida nesse contexto. Contudo, há algumas verdades absolutas que se apresentam como uma espécie de barreira, impedindo o ganho de produtividade tão necessário para se voltar a atingir o desenvolvimento econômico de sua cadeia, pilar que, ao lado das questões sociais e ambientais, é fundamental para o negócio se manter sustentável, ou seja, existir.
 
Dentre esses conceitos talvez um dos mais intocáveis é o de que não se irriga cana-de-açúcar. E a pergunta é: qual o argumento plausível de que a cana precisa ser desenvolvida num ambiente de sequeiro?
 
Como dito anteriormente, a agricultura vive a época da precisão, ou seja, não é jogar água a rodo no canavial sem nenhuma necessidade, mas sim o seu uso racional, planejado pela real necessidade da planta (que não é muita). Isso é perfeitamente plausível não somente em produtividade, mas também em possíveis consequências ambientais.
 
A prova disso é o caso da Bevap, a única usina brasileira 100% irrigada. Tudo bem que na região em que está localizada (norte de Minas Gerais) se não tivesse água não haveria cana devido ao baixo índice pluviométrico e alto calor, mas o que salta aos olhos é como a usina  consegue produtividades altas num sistema que privilegia a economia local (como todo o trabalho de projetos e montagem é executado dentro da usina, a própria empresa forma a mão de obra e mantém mais de 200 vagas de emprego somente no time de irrigação) e contrapartidas ambientais, como ter mais de 40% da área preservada.
 
Essa peculiaridade dá a ela a possibilidade de manter quase 30 mil hectares de cana molhados com todos os aspectos que formam o conceito de sustentabilidade preenchidos com aplausos.
 
Uma política de outorga menos burocrática aliada à união do setor para pensar numa melhor maneira de se criar uma malha de irrigação inteligente seria o melhor dos mundos, mas outras ações menores poderiam ser tomadas como primeiro passo. Um exemplo é pensar no uso de água necessária no plantio por meio da técnica de meiosi através de MPB, a qual muitas vezes é postergada pelo agricultor por não conseguir atender à demanda de água das mudinhas, principalmente após o plantio, feito no período mais seco e quando a muda é bem exigente em relação à água.
 
Pensando nisso, a UPL lançou no ano passado o UPDT, um polímero vegetal e biodegradável que ao ser misturado ao solo retém água, reduzindo significativamente a frequência e quantidade de irrigação, como pode ser comprovado numa meiosi plantada em Motuca-SP, onde os banhos caíram pela metade.
 
Para comprovar que a cana-de-açúcar precisa somente de um golinho de irrigação era necessária a chancela do mundo acadêmico e ela surgiu durante a quarta edição do Irrigacana, que abordou os prejuízos causados quando a matéria-prima entra pouco desenvolvida ou imatura na unidade industrial.
 
Ao observar todos esses aspectos, a conclusão é bem fácil: a quantidade de água que os canaviais demandariam com o objetivo de atingir uma produtividade plena (100 toneladas por hectare e 14 quilos de açúcar por tonelada de cana) é irrisória.
 
Com essa evolução viriam benefícios diversos como o ganho de competitividade do etanol perante o preço da gasolina, o aumento de produção de energia elétrica limpa (diminuindo a queima de diesel em termelétricas) e o aumento de empregos em razão da introdução de uma nova operação à atividade canavieira.
 

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