Tatuagem de qualidade

Por: Marino Guerra


Não importa qual produto ou serviço é prestado, mas quando ele vem de uma cooperativa sólida, parece que tem um grau de confiabilidade maior. Não se sabe ainda exatamente o motivo, talvez seja porque a relação entre cooperado e instituição é muito mais estreita, como a de irmãos, se comparados empresa e consumidor, que muitas vezes se aproxima de marido e mulher à beira do divórcio.

Isso se deve porque não teria mais sentido de existência uma cooperativa que não conseguisse atender aos interesses de seu cooperado, ao contrário de uma empresa normal, que muitas vezes muda a estratégia para atingir um outro mercado, deixando o anterior ver navios.

Sendo assim, não é nem um pouco exagerado dizer que ao assumir a  maturidade a entidade se tatua com uma marca de qualidade. O mesmo acontece com as pessoas, que somente quando têm certeza que têm suas respectivas personalidades definidas e não por moda ou empolgação, a simbolizam na pele.

Com a Copercana essa história não é diferente, seus cooperados e até mesmo a comunidade em que ela atua sabe muito bem da excelência dos seus serviços. Da extrema seriedade com que comercializa desde um simples detergente no supermercado até o mais moderno herbicida, passando por safras inteiras de grãos.

Relativamente nova (iniciou suas operações há cerca de cinco anos) porém até em decorrência do setor que atua, a Distribuidora Copercana sempre soube que teria que trabalhar com esse alto padrão de seriedade e qualidade desde o primeiro caminhão tanque que adentrasse a base compartilhada que atua em Ribeirão Preto.

Antes de conhecer como é garantida a integridade de cada produto e o seu diferencial perante a todas as outras operações localizadas naquele polo, é preciso entender a dinâmica do negócio, onde os combustíveis chegam de duas maneiras diferentes: via dutos (gasolina e o diesel S500, em estado puro, para motores construídos antes de 2012) e via caminhões (etanol hidratado e anidro, biodiesel e diesel S10, para os motores mais novos).

Todos esses produtos são estocados em tanques. No momento que os caminhões, sejam eles contratados da distribuidora ou de clientes, se posicionam para carregar, as respectivas misturas, 27% de etanol anidro na gasolina e 10% de biodiesel no S10 e no S500, são realizadas de maneira automática antes do produto entrar na carreta.
Como visto acima, sem considerar os processos de garantia da qualidade, o funcionamento da distribuidora é relativamente simples. No entanto, para tentar narrar esses procedimentos da maneira mais clara possível, vou interpretar, a partir desse momento, o papel de advogado do diabo.

Como eu garanto que o combustível que está chegando é de boa qualidade? São feitas duas análises, a primeira antes dele sair da sua origem e a segunda ao chegar na base, na qual é retirada uma amostra, testada e somente depois é que o combustível vai para os tanques de armazenagem.

E se a máquina que realiza a mistura de combustíveis por algum motivo tiver algum problema em sua calibração?  Depois de cheia uma em cada três (em média) carretas tanques (não é possível fazer de todas por questões de escoamento do pátio) é submetida ao teste de mistura, que precisa estar dentro das porcentagens estabelecidas pela ANP. Só depois disso o veículo é liberado para fazer a entrega.

Existe algum procedimento para garantir a qualidade dos produtos no momento de sua entrega? Existe sim, porém antes de abordar esse tema é preciso entender que um tanque de um posto de combustíveis às vezes não possui o produto 100% da mesma distribuidora, podendo sofrer misturas e com isso desvios em seu desempenho.

Voltando ao sistema de comprovação da origem do produto, ele funciona da seguinte maneira: antes de sair da base é retirada uma amostra de combustível, lacrada em sacos (parecidos com aqueles que chegam cartões e talões de cheque via correio) e guardadas. Quando o caminhão chega no cliente é retirada mais uma amostra, lacrada da mesma maneira, e entregue ao responsável junto com a nota fiscal.

Caso venha a ter alguma reclamação, são feitas as análises de três amostras (os dois lacrados e a que está sendo questionada) o que dá a conclusão se realmente houve algum problema com o produto, ou então ele não é exatamente o mesmo que foi fornecido pela distribuidora.

O encarregado da distribuidora, José Cláudio de Lima Carvalho, fala sobre a importância desse método: “Já aconteceram casos de reclamações e constatamos que não era o nosso produto, por isso é sempre enfatizado com os motoristas a importância de entregar essa contraprova”.

Só para constar, nos casos em que o próprio cliente busca o produto, é retirada uma amostra ao final de seu carregamento e entregue para o mesmo na hora.

 Um ponto de especial atenção para a garantia dessa eficiência é o transporte de entrega, a qual por questões de custos de logística, não permite uma distribuidora do tamanho que está hoje a Copercana ter a própria frota. No entanto, o trabalho de escolha das transportadoras que farão o serviço segue com uma disciplina militar, uma exigente cartilha de normas, na qual são observados os mínimos detalhes desde o motorista, passando pelo caminhão e a estrutura da carreta. “Nesse ponto precisamos ter um rigor máximo, indo além da qualidade e do bom atendimento, pois o que está em jogo são vidas e o meio-ambiente”, conclui Carvalho.

R$ 500 mil em investimentos
O valor acima é referente à alavancagem financeira feita pela Copercana para fazer com que o diesel de sua distribuidora seja considerado o mais bem analisado do polo de Ribeirão Preto, isso devido a compra de dois equipamentos laboratoriais que analisam o teor de água e enxofre para verificar se estão dentro das especificações exigidas pela ANP.

O primeiro se trata de um analisador de enxofre e cloro por raio-x, importado dos Estados Unidos, que dentre diversas características, a que mais se destaca é a capacidade de analisar baixíssimos teores com alta precisão. Vale lembrar que antes de sua aquisição, esse procedimento era feito em um laboratório fora da cidade, o que levava dias para sair o resultado. Já com o resultado em mãos, em menos de 20 minutos, a distribuidora saberá se o enxofre de seu diesel está correto ou não.

Para complementar o projeto de excelência do laboratório também foi adquirido um analisador de ponto de fulgor multiflash tag, equipamento importado da Inglaterra que medirá a volatilidade do diesel, ou seja, se a temperatura limite que o faz passar do estado líquido para ao gasoso está dentro das especificações.

A distribuidora e a roça
A estrutura é boa e a qualidade é invejável, mas tem um porém nessa história toda que precisa ser abordado: qual a vantagem prática para o cooperado o fato de sua cooperativa ter uma distribuidora de combustíveis?

Talvez em um país menos burocrático - que valorizasse o fazer e não o se meter na vida de quem quer trabalhar, produzir e gerar riqueza -,  a resposta para essa pergunta seria baseada na lógica mais óbvia, ou seja, o combustível sairia dos tanques da distribuidora e iria direto para atender à demanda do seu dono (o cooperado).

Como estamos sob as regras das cabeças nada produtivas de Brasília, a distribuidora não pode entregar um produto que não esteja adequado às normas da ANP, ou seja, não é permitida a sua entrega em uma frente de colheita, por exemplo, gerando um intermediário conhecido como TRR (Transporte Rodoviário Retalista), que consiste em uma carreta tanque com capacidade de 45 mil litros, autorizada pelo Governo a fazer o seu retalhamento, levando 2 mil litros para um lugar, mil para outro, três para outro e por aí vai.

Se quiser ter uma bomba em sua propriedade, o cooperado precisa investir em um tanque de pelo menos 15 mil litros, homologado pela ANP. Se precisar ter um caminhão menor para abastecer a sua frente de colheita, terá que gastar mais dinheiro com papel e burocratas.

Outros motivos que mostram a total falta de conhecimento da realidade dessa regulamentação é o fato do diesel ser um combustível perecível, que precisa ser movimentado rapidamente. Estudos comprovam que se ele ficar mais de um mês em um tanque, já começa a perder propriedades, o que com certeza irá afetar no seu desempenho, e para o armazenamento em uma fazenda, é exigido uma estocagem de 15 mil litros.

Um outro problema que assegura a presença do intermediário (retalhista ou posto) nessa relação é a questão do custo logístico de entrega. O menor caminhão da distribuidora possui capacidade de 15 mil litros e caso um fornecedor, cuja propriedade esteja a uma distância de 150 km da distribuidora, precisasse de 5 mil litros, teria que pagar o frete sobre os 15 mil, elevando o preço final da compra.

Se for analisada a cadeia como um todo, o combustível sofre a influência de tributos quando ele é produzido ou importado, quando vai para a distribuidora, na relação de distribuição para os postos e na venda para o consumidor.

Imagine agora uma situação hipotética onde o etanol pudesse ter um posto dentro da usina, com uma tributação só, ou então que essa unidade industrial absorvesse toda soja produzida na área de reforma do canavial e com isso produzisse biodiesel que seria consumido pelas próprias máquinas agrícolas de seu ecossistema. Quanto Brasília deixaria de arrecadar? Quanto cairia o custo de produção do etanol, açúcar e energia elétrica? Quanto de dinheiro ficaria em circulação na própria região produtora?
 

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