As vantagens da bioeletricidade para o setor elétrico nacional

Por: Fernanda Clariano


De acordo com dados divulgados pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), o setor sucroenergético exportou 21,4 TWh (terawatt-hora) para o SIN (Sistema Interligado Nacional) em 2017, o que representa o equivalente a 5% do consumo nacional, ou 35% da produção de energia elétrica do Estado de São Paulo, ou o equivalente para abastecer durante todo ano de 2017 mais de 11 milhões de residências, ou 12 vezes o consumo total de energia elétrica da cidade de Ribeirão Preto.

"Esses números representam apenas 15% do potencial da geração da bioeletricidade para a rede. O desafio do setor é aumentar essa participação na matriz de energia”, disse o gerente de bioeletricidade da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Zilmar Souza. Ainda segundo o executivo, a produção de bioeletricidade para a rede elétrica atingiu quase 26 mil GWh em 2017, um crescimento de 7% em relação ano anterior.

 “Atualmente, por volta de 5% do consumo de energia no Brasil provém da biomassa, mas acreditamos que esse número pode crescer. Basicamente se aproveita 20% desse potencial, o que poderíamos explorar e aumentar num curto período de tempo. No passado tivemos um aumento expressivo da biomassa, deu uma estabilizada com a crise, mas achamos que crescerá novamente”, comentou o executivo durante o segundo Encontro de Relacionamento realizado pela Votorantim Energia, no dia 27de fevereiro, em Ribeirão Preto-SP. O evento reuniu fornecedores de energia gerada pela cana-de-açúcar e profissionais do setor para discutirem a bioeletricidade produzida a partir do bagaço da cana.
 
A Votorantim administra 6% do consumo de energia elétrica industrial, o equivalente a 3% do consumo total do país, e atua com o objetivo de construir uma trajetória de energia limpa e sustentável, lastreada em fontes renováveis e em soluções inovadoras e eficientes.

“O setor de biomassa é extraordinário. Se olharmos qualquer projeção que existe atualmente no mundo em relação à matriz renovável, o Brasil ganha disparado de qualquer outra matriz. Para a Votorantim, o tema sustentabilidade é muito importante, temos no nosso DNA não investir em energia que não seja renovável”, afirmou o presidente da Votorantim Energia, Fábio Zanfelici, que na ocasião também destacou a importância do setor sucroenergético. “Enxergamos o setor como grande parceiro, tanto para a comercialização como também para atender aos negócios da Votorantim Energia. É um setor onde temos grande apreço”.

“Cada vez mais estamos buscando uma energia de fonte renovável e a bioeletricidade, além de trazer emprego para a região e para o Brasil, tem muita capacidade de crescer. Ainda temos muito a gerar em energia para o Brasil no futuro”, destacou o gerente geral de comercialização da Votorantim Energia, Leonardo Vinícius Gomes.

As vantagens de o Brasil usar a bioenergia como fonte elétrica foi destacada pelo pesquisador Bernardo Bezerra. “A bioenergia tem dois principais atrativos, o primeiro é ela ser uma fonte contra sazonal, gerando energia justamente no período de seca e, além disso, é uma geração considerada de base. Ela firma o sistema no período em que precisa, diferente de outras alternativas termelétricas.Outro aspecto da biomassa é que não há a intermitência que as outras fontes como a eólica e a solar possuem,mantendo a produção ao longo de todas as horas do dia, sem a incerteza de qual será a produção na próxima hora”, explicou o pesquisador.

Atualmente, a energia proveniente do bagaço da cana corresponde a 4,6% da produção de eletricidade do Brasil. A expectativa com o RenovaBio e com o apelo ambiental é que esses números aumentem, mas isso só deve acontecer a longo prazo.
“Existem aspectos muito positivos com o RenovaBio como as metas de redução e de aumento de eficiência, onde o setor pode ter uma grande alavancagem nos próximos três ou cinco anos. Naverdade, é uma perspectiva de aumento a médio prazo”, ressaltou Bezerra.
 
Explorando a cana-de-açúcar
Conforme cresce o país, aumenta também a demanda por energia elétrica, porém a produção de bioenergia vinda da cana vem estagnando. Em 2017 cresceu apenas 1% em relação ao ano anterior. “No ano de 2017 em relação a 2016, a oferta da bioeletricidade aumentou 1% e está aquém, muito abaixo do seu potencial”, disse o gerente de bioeletricidade da Unica.


O setor canavieiro extrai atualmente da cana-de-açúcar três produtos que são o açúcar, o etanol e a cogeração, mas deixa de explorar outros valores. “Temos biomassa na ponta e na palha da cana, nos resíduos que ficam no campo e que poderiam ser aproveitados de outra forma”, ponderou o engenheiro agrônomo José Alencar Magro. O profissional, que participou do encontro, aproveitou para falar do seu estudo sobre cana integral que prevê o aproveitamento da palha e da ponta da cana, geralmente desperdiçadas no processo. “A biomassa da folha e da ponta da cana que são descartadas correspondem aproximadamente a 15 Itaipus, sendo que, aproveitando essa biomassa teríamos um suprimento muito grande de energia elétrica a um custo muito baixo”, vislumbrou Magro.
 
 

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